Monday, October 22, 2007

Telenovelas afastam portugueses do programa de governo em Toronto




O “discurso do trono” – mais conhecido em Portugal por apresentação do programa de governo - pacientemente lido pela Governadora Geral Michaëlle Jean passou ao lado de uma grande maioria de portugueses. Esperado com alguma expectativa pelos membros mais politizados da comunidade, pouco ou nada disse ao comum do cidadão de língua portuguesa



Quando os políticos lusos apelam cada vez mais à participação activa dos lusos na vida pública do pais, deparámo-nos – particularmente no que diz respeito ao discurso do trono do primeiro ministro do Canada – com o facto de muitos portugueses não entenderem bem o que estava em causa, prestando por isso pouca atenção a um momento televisivo, que chamou a atenção de muitos canadianos. A possibilidade de um novo acto eleitoral antecipado de Stéphane Dion (agora posto de parte pela estratégia do liberal), que levaria novamente à estrada os políticos do Ontário, ainda a digerir os resultados de um sufrágio de há duas semanas, deixou muita gente na comunidade apática. Para além da apatia, a jornalista deparou-se também com um certo desconforto por parte dos entrevistados, que preferem não falar sobre politica, atitude reminiscente talvez de um Portugal do passado, que obrigou muitos dos que aqui vivem ao silencio, e hoje apreensivos quanto a esta coisa de democracia e liberdade de expressão. Mesmo assim Vicente Graciano não teve palavras a medir ao dizer que não prestou atenção ao discurso porque “desconfia”dos políticos. “Não tenho nada a dizer porque eles não fazem nada. Sabe, os políticos são como as religiões. Cada uma é que está certo, mas no fim estão todos certos. Os políticos são a mesma coisa. Eu ouço eles falarem muito mas não fazem quase nada.”Mesmo assim, Vicente Graciano foi explicito ao considerar que o primeiro ministro no seu discurso deixou de fora os pobres.
Opinião comungada por outras pessoas que entrevistamos e que preferiram não dar o seu nome. As dificuldades de uma vida de trabalho levou a que um grupo de amigas que encontramos ao principio da tarde a gozar um pouco de descanso nos mostrasse até que ponto, a politica e o discurso do trono passou ao lado de uma grande maioria de trabalhadores portugueses. Eu não vi o discurso porque a gente se meteu a ver as telenovelas e, eu não sigo estas coisas da política, porque eu não sei falar inglês. Às vezes eu leio os jornais portugueses, quando eles têm coisas que me interessam.”
Maria dos Santos também nunca votou “porque não sou canadiana”. Uma realidade comungada pelas outras três amigas. “Eu estou a pensar resolver esta situação agora, porque disseram-me que a partir dos 55 anos não e preciso saber falar inglês e não se paga nada. “
Natália não quer saber de políticos porque “eles só ajudam os ricos e nunca os pobres.” A língua tem sido um dos principais factores de alheação às questões políticas por parte de muitos imigrantes. “Viemos para aqui foi para trabalhar para ganhar alguma coisa. Não havia tempo para ir para a escola e eu sempre trabalhei com pessoas portuguesas e por isso sei muito pouco”, realçou Maria dos Santos, que contou com a concordância das outras amigas. “É sempre bom que a gente aprenda um pouco de tudo. Mas foi assim a nossa vida, e agora já é tarde.”

“Eu não vi o discurso porque a gente se meteu a ver as telenovelas”

No Canada desde a década de 50 João Correia é um cidadão interessado pela política canadiana. Ao discurso do primeiro-ministro não deu, porém, muita atenção. Nos actos eleitorais tem exercido o seu direito de voto. Segundo João Correia o partido Conservador não esta a governar muito mal.” Todavia, eleições neste momento poderiam dar uma maioria ao partido Conservador “e isto então seria ruim. Eu já estou aqui há muitos anos e acompanhei outros governos conservadores de John Diefenbaker, muito esperto para falar. Não governou muito mal, mas deu segredos militares aos americanos. O Joe Clark, também não chegou a fazer nada, e o Brian Mulroney, deixou isso tudo na banca rota. O que fez de bom foi o Trade Agreement.”

Monday, October 15, 2007



As azedas da Liberdade

A nossa liberdade era como as azedas. E quem não as conhece povoando os pastos no início da Primavera? Assim éramos nós, quando as horas não tinham minutos, e corríamos bebendo a brisa. De um lado os altos muros de lava, colhida pedra a pedra, montados como um puzzle, para adornar a tela e dividir a posse do senhorio; do outro, o mar verde de seda beijado pelo fôlego quente da tarde. Quando a Maria de Jesus dava o toque de partida, o coração galopava como um cavalo selvagem. Era a aventura de uma vida. Desobedecer e tomar os atalhos. Perdermo-nos na euforia de uma aventura.
Ao lado da Escola dos Centenários ficavam a perder de vista os pastos, até ao mar. Lá ao fundo sabíamos que a Canada Maria do Céu nos esperava, tranquila, com o alambique do Xico Brandão, as selhas e pipas, as tranças de tabaco, os figos de figueira, as cabras de “vavô”, e o aroma das fornalhas recebendo ao final da tarde os frutos da terra.
A Maria do Céu era o nosso destino. O fim da correria louca, para não chegarmos a casa fora do tempo, e apanhar uma vassourada injusta. Os rapazes brincavam à bola ou com o aro de ferro das pipas, descalços com uma côdea de pão de milho no canto da boca.
E as azedas selvagens.
Com o coração na boca parávamos para as apanhar e chupar-lhes o caule, até ficarem em nada. Não sei porquê tal ritual de infância. Sugar o sangue das azedas. O suco atroz, ácido sorvido em ritual de passagem. Acreditei que a Canada estava mesmo ali. Deixei de sentir as pernas. Voámos de excitação e medo. E se nos perdêssemos? E se a Maria de Jesus se enganasse nas cordenadas? E se as azedas fossem veneno? E se a noite chegasse e nos tomasse? Mas a Canada Maria do Céu descobriu-se aos poucos. A doçura branca da cal das casas, o miar do gato, as cuecas do tio Xico no estendal. Estava salva. E para sempre as azedas…
Humberta Araújo

Azorean government gives money to azorean association


Carlos César promete
350 mil euros para a Casa dos Açores


A região autónoma dos Açores vai apoiar financeiramente a Casa dos Açores do Ontário. A ajuda é da ordem dos 350 mil euros que chegam com a visita de Carlos César, que vem assistir à Semana Cultural e à inauguração da sede e Novembro

Após vários anos de espera, a Casa dos Açores do Ontário vai abrir as suas portas em sede própria num edifício adquirido recentemente e que custou 1,8 milhões de dólares. Com um apoio do governo da província do Ontário de meio milhão de dólares, as portas abrem-se agora para uma nova era nesta instituição açoriana. Tudo a postos para inauguração das instalações próprias da Casa dos Açores do Ontário. Uma inauguração que coincide com a Semana Cultural Açoriana e com a vinda do Presidente do Governo Regional dos Açores, Carlos César. O presidente, que vai estar em Toronto dias 3 e 4 de Novembro tratá também consigo o apoio financeiro prometido pela região autónoma. A ajuda dos Açores é da ordem dos 350 mil euros, que serão repartidos por dois anos.
A notícia foi confirmada ao Correio Canadiano / Nove Ilhas pelo presidente da direcção, Carlos Botelho.
A Semana Cultural vai igualmente servir de palco para transmissão do programa televisivo Atlântida. Recorde-se que a nova sede da Casa dos Açores do Ontário está localizada no 1142 rua College W, no coração da comunidade portuguesa em Toronto. A ideia de uma casa própria há muitos anos que amadurecia no seio da comunidade. A direcção actual levou a peito este objectivo para dar resposta às necessidades do elevado número de organismos associativos oriundos das ilhas nesta província.
As obras de melhoramento, que se iniciaram em Agosto com grande apoio de voluntários, estarão concluídas a tempo da Semana Cultural. O imóvel vai permitir serviços de bar/restaurante, Centro de Atendimento ao Cidadão, duas salas de aula, biblioteca, cinco escritórios para grupos, uma sala de reunião e outra de convívio para os idosos e salão de festas na parte superior com acesso a um elevador.

Immigration Museums - Azores/Canada


Cooperação entre instituições
Galeria dos Pioneiros e Museu da Ribeira Grande


Recolher a memória da emigração é uma responsabilidade da comunidade portuguesa. A pouco e pouco passos vão sendo dados neste sentido. Um deles é o protocolo foi assinado entre a Câmara Municipal da Ribeira Grande, ilha de S, Miguel e a Galeria dos pioneiros em Toronto no passado mês de Agosto


Uma nova fase de cooperação pode vir a ser uma realidade após a visita do presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande à Galeria dos Pioneiros, em Toronto. Após protocolos de cooperação recentemente assinados entre a Direcção Reginal das Comunidades dos Acores e a instituição canadiana, a deslocação de Ricardo Silva culmina uma série de contactos entre os museus para que seja desenvolvido um trabalho conjunto mais alargado.
A Ribeira Grande, concelho de onde sairam muitos imigrantes para o Canadá é a entidade responsável pla gestão do Museu, o único do gênero na região. Esta instituição, que está a dar os primeiros passos, possui já espaço e um apreciável espólio oferecido por imigrantes e suas famílias.
A coincidir com a visita de Ricardo Silva estará patente na Galeria dos Pioneiros uma colecção de fotos da primeira emigração de 1954, que depois seguirá para Montreal e Hamilton. A colecção vai ser depois doada ao Museu da Ribeira Grande. O presidente daquele Câmara micaelense visita Toronto nos dias 16 e 17 de Agosto para assinar um protocolo entre a Galeria dos Pioneiros de Toronto e o Museu de Emigração Açoreana. Aproveitando esta deslocação ao Ontário, Ricardo Silva vai encetar contactos com a comunidade Ribeira Grande aqui residente. O recuperar da memória da emigração para o Ontário é cada vez mais premente, uma vez que muitos dos pioneiros deste movimento, cumprindo o ciclo natural da vida, vão deixando o mundo dos vivos e com o seu desaparecimento vai-se também muitos aspectos que podem ser ainda desconhecidos. Os artefactos e a memória das histórias são aspectos de especial importância para a riqueza museológica relacionada com a emigração.
CC/NI

GENTES DO SEU TEMPO


Nem sempre as estórias nos passam pela porta. Ao lado talvez, pelas esquinas e janelas entreabertas – um sussurro – de quando em vez. São gentes, que vieram antes da história começar a paginar-se lenta e precisa. Nesta senda, Toronto fez-se Arca de Noé, oasis para os sonhos, nem sempre esculpidos de certeza. Mas a História cumpre-se através da intrínsica capacidade humana de projectar a utopia. Assm somos nós as lusas, que reorganizando o universo feminino tradicional, vão expandino a quimera, rumo ao universo das realizações humanas.
No silêncio de cada lar, a mulher portuguesa foi condensando nomes e estórias numa luta que fica sepultada no anonimato. Com a lacra do silêncio, as suas vitórias foram-se consumindo na nudez das palavras por falta de tempo. Aqui e ali algumas ressuscitam dos passados recentes, para iluminar os atalhos das nossas vivências. Melba Dias Costa, não faz parte do meu universo geográfico de infância, mas penetrou no meu dia, com a serenidade de um ser, que cumpriu a sua estória tornando mais rica a História das mulheres lusas nesta província. África talhou o indivíduo, como o vulcão esculpiu a ilha. O continente quente das savanas rasgou no africano a identidade, como o mar a perder de vista selou o destino do ilhéu. Uma rota extradordinária na vida da primeira mulher médica portuguesa na comunidade. Filha de Moçambique, conheceu Portugal, França, Angola, Estados Unidos e Canadá. Trabalhou na Organização Mundial de Saúde, foi galardoada com a Comenda da Ordem de Mérito, trabalhou com um dos grandes nomes da oncologia portuguesa Gentil Martins e, dedicou parte da sua vida à comunidade portuguesa de Toronto. Na década de 40, altura da sua formatura pela Faculdade de Medicina de Lisboa Melba, a mulher, a africana, a progressista conheceu os preconceitos de um país conservador e fascista como o português. Foi mesmo vigiada pela polícia portuguesa do regime: a PIDE. Como escreveu o seu filho: ”Ela desafiou as expectativas sociais para as mulheres do seu tempo, em busca de objectivos profissionais, ao invés de se confinar à vida do lar. Partiu sozinha para os Estados Unidos, e mais tarde para o Canadá, abrindo caminho para que a sua família a seguisse anos mais tarde”. A médica Melba Dias Costa é um exemplo a seguir pelas jovens luso-canadianas. Um exemplo reconhecido pela imigração canadiana que destacou o seu nome no Museu Pier 21, em Halifax.

Famílias lusas com apoio para ajudar filhos na escola

A necessidade do envolvimento das famílias imigrantes portuguesas nas actividades escolares dos seus filhos/as há muito que vem sendo debatido na comunidade portuguesa em Toronto

Um debate que tem envolvido professores, responsáveis escolares, estudantes e famílias. Agora o Congresso Nacional Luso-Canadiano anunciou o lançamento de um projecto para ajudar as famílias lusas no apoio ao sucesso escolar na família. O projecto intitulado “Pais Para o Sucesso de Estudantes ” vai ter a duração de
seis meses e conta com o financiamento do Fundo de Ajuda aos pais do Ministério da Educação. Na base deste apoio está o entendimento de que é necessário “trabalhar a capacidade dos pais luso-canadianos em se envolverem mais na educação dos filhos.”

Segundo Ana Fernandes, presidente da Rede de Educadores Luso-Canadianos, “a preparação e o envolvimento dos pais é a chave para o melhoramento dos desafios académicos desta comunidade. Temos que encorajar e preparar oportunidades relevantes para que mais pais se possam envolver activamente na educação dos filhos”.

Em colaboração com as comunidades luso-canadianas de Hamilton, Kitchener-Waterloo e Toronto, as componentes principais do projecto “Pais para os sucessos dos estudantes” incluem a implementação de uma sondagem sobre as áreas em que os pais sentem dificuldades, o desenvolvimento e a tradução de recursos educativos úteis, assim como a organização de oficinas de trabalho e sessões de treino nas comunidades participantes. As oficinas de trabalho terão lugar no final do Verão e no início do Outono e vão incorporar uma componente teatral.

Tal como o presidente do Congresso, Emanuel Linhares, afirmou, “o Congresso está feliz por lançar esta nova iniciativa para alertar para a importância do envolvimento paternal na educação das crianças. Ao centrarmos a nossa atenção nos pais luso-canadianos para que se tornem mais activos na educação dos filhos, estamos a preparar a base para um melhor aproveitamento escolar. Esperamos poder implementar o projecto com muito sucesso e poder trabalhar com as comunidades que nele estão envolvidas”.

Criado em 1993, o Congresso é uma organização nacional que representa cerca de 400 mil Canadianos de origem portuguesa. O Congresso trata de assuntos que afectam a comunidade luso-canadiana através de uma rêde de 35 Directores, Delegados e representantes locais em todo o país. O Congresso desenvolve e implementa projectos que visam responder às necessidades comunitárias. Projectos actualmente em curso incluem: Projecto Força, Projecto Viva! Saúde, e Pais Para o Sucesso de Estudantes.

Regresso


Após muitos meses de silêncio, regresso com o Outono para ligar esta américa com as ilhas que um dia foram casa e hoje são lar de memórias!

Tuesday, March 21, 2006

Emigrantes a repatriar já este fim-de-semana em voos charter

Antes das eleições federais do passado mês de Janeiro desejei boa sorte a um português conservador. Na altura fiz algumas considerações sobre o impacto que teria um voto conservador para os imigrantes neste país. Mas como eu sou uma daquelas pessoas que para acreditar necessita de ver, senti que o mais honesto a fazer seria esperar para ver. Não tive que esperar muito, como se vê. O que estamos nestes dias a presenciar excede as minhas mais pessimistas expectativas. Nunca pensei que um governo Conservador fosse tão negativo para a comunidade portuguesa. Mas aqui estamos, preparando as nossas malas com anos de trabalho no duro, com filhos e filhas já adaptados à sociedade canadiana e desejando fazer parte deste país esperando a chegada dos aviões fretados pelo governo para os levar em desgraça para os Acóres e Continente. Começam a partir já este fim-de-semana. Cerca de 15 mil se encontra em situação de trabalhadores ilegais na sua maioria concentrados na construção civil.
Portugal Continental e os Açores têm nos últimos anos recebido centenas de repatriados. Estes foram ou são de segunda geração de emigrantes que enveredaram pela delinquência e crime grave e que nunca se tornaram cidadãos canadianos. As suas histórias os açorianos as conhecem bem. A história da emigração açoriana inicia-se em 53 e não valerá a pena repeti-la aqui. Estamos em 2006e a situação é a seguinte: o Canadá exportou os frutos estragados da primeira geração de imigrantes e agora deporta trabalhadores que nos últimos anos têm dado a este país aquilo que ele não tem. Algumas famílias tiveram já filhos aqui; outros têm filhos e filhas nas escolas e adaptados ou a trabalhar. Não quero aqui dizer que a ilegalidade deva passar. Todavia nestes casos – alguns com 5 ou 10 anos – parece-me que estes ilegais já pagaram o suficiente com o medo e a incerteza destes últimos anos. O governo do Canadá tem afirmado que necessita de mais imigrantes. A população está a envelhecer. Então qual a necessidade de enviar estes homens e mulheres que criaram já raízes neste país, que não possuem qualquer registo criminal e que já sabem os cantos à casa?
Estará este governo tentando livrar-se de ilegais portuguses e outros em dúvida só para dizer aos canadianos que o país está livre de ilegais e preparado para receber mais imigrantes, muitos sem formação ou experiência nas áreas deixadas livres pelos portugueses, nomeadamente a construção civil? E o que têm agora a dizer alguns conservadores portugueses? Será que no meio deles não estarão, quem sabe, alguns que passaram pelo mesmo no passado?
O que vai ser destes jovens que já criaram raízes neste país e que poderiam participar com o seu saber e formação profissional para um futuro digno deste país e assim responder á falta de trabalhadores especializados que o país tanto necessita. Tenho uma ideia da vida difícil que os espera no regresso. As ilhas terão concerteza alguma dificuldade em responder aos anseios desta nova geração de repatriados. Esperemos que o Governo Federal olhe para esta situação com outros olhos.

Humberta Araújo

PORTUGUESE WORKERS
THE DAY AFTER

Before the federal elections, I wished good luck to a Portuguese Conservative voter. At the same time, I pointed out why I felt that a conservative vote could be damaging to immigrants in this country. But since I am one of those souls who needs to see to believe, I felt that the most honorable thing to do was to wait and see. I didn't’t have to wait much. What I am witnessing is beyond my more pessimistic expectactions. I never thought that a Federal Government could be so damaging to the Portuguese community. But here we are. Preparing our suitcases with years of hard work, sons and daughters adapted to Canadian society, willing to contribute to Canada, waiting to board charter planes to face their first home in disgrace. The Continental Portugal, and the archipelago of Açores have been receiving for more than 10 years hundreds of deportees, the greatest number sent back to Azores. These were/are often second generation Portuguese, who have had delinquent and criminal behavior in Canadaá, and who never adopted the canadian citizenship. Let us remember a small page of Portuguese-Canadian history in Canada: In 1954 after an experiment with 18 men from the islands of Azores one year earlier, the Canadian government decided that they were excellent workers. As such they were given permission to stay. They must have been a very good experiment because just a year after almost 1000 left the islands. The government at the time was very humane towards the Portuguese, and quickly understood the need to reunite the families. Soon - 55/56 - married men were able to get united with wives and children. This is 2006, and here we are: exporting the the rotten fruits from the first generation of Portuguese, and now hard working people who have been giving this country what it lacks. Some of them have had children born here: others have sons and daughters integrated in high schools or working. Well, I am not saying that illegality is to be blessed. What I would like to convene is that these people have already understood, by fear and uncertainty, that what they did was not the best for their lives. The government has said that Canada needs more immigrants. The populations is growing older. So why send back those who have created roots in Canada, have no criminal record, and know their way around? Is this government trying to free itself from Portuguese, and presumably others, just to tell Canadians that the country is free of illegal people, and now is ready to open its doors to new immigrants, some unskilled, with no knowledge of Canadian life and labor? What do the Portuguese conservatives have to say now? Have none of them, some time in the past, lived through the anguish and fear of repatriation?
My heart goes to these people, and particularly to the young who could have become proud Canadians able to respond, at some extent, to the need of skilled labor in Canada. I am a Canadian citizen. My parents were unskilled workers who served with honesty this country. I know the hard times ahead for those who are now deported. The islands will most certainly not be able to respond to this new wave of deportees. Lets hope that the Conservative Government reconsiders, and shows more intelligence in this matter. We know that the law has not changed since the Liberals. But the will, yes.
Humberta Araujo

Deputado Mário Silva pede a Ministro fim dos repatriamentos

Com as notícias em primeira página publicadas em jornais canadianos anunciando a saída de ilegais portugueses, a comunidade começa a tomar consciência da dimensão do problema. A posição do deputado federal Mário Silva foi já dada a conhecer so Ministro
Toronto, Março 21, 2006 - O Deputado Federal Mário Silva, pelo Cículo de Davenport, convidou o Ministro Conservador da Cidadania e Imigração a parar a remoção do Canadá de trabalhadores sem documentação.

"Esta directriz arbitrária orientadora da política do Ministro Conservador da Cidadania e Imigração é áspera, injusta e mostra uma falta completa de compaixão.” Disse Mário Silva

O Governo conservador iníciou ao seu termo demonstrando que, não só mostra grande falta de compaixão, assim como ao executar esta política, falha totalmente em compreender o impacto que a mesma resultará na indústria do sector da construção. O Ministro descreveu em relatórios para a media que este assunto é um de "baixa-prioridade."

"Como o Ministro pode dizer que este assunto é de "baixa-prioridade" é simplesmente inconcebivel, quando consideramos o impacto que terá em famílias, em indivíduos e na economia da grande área de Toronto." Continuou Mário Silva.

Há 15.000 ou mais trabalhadores sem documentação dentro do sector da construção e, ambos, a união laboral e managemento de trabalho indicaram claramente que a remoção destes trabalhadores teria um impacto devastador na indústria.

"Depois de uma completa consideração a este delicado problema, o Governo Liberal precedente tinha apresentado uma proposta a esta solução. E agora o Governo Conservador decide ignorar esta proposta e pressioná-la para a frente de uma maneira arbitrária e desumana," Salientou Mário Silva


O Membro do Parlamento da área de Toronto escreveu ao Ministro pedindo que ele revertesse este plano de acção e, em lugar dele, agir na proposta que o precedente Governo Liberal tinha preparado. (A cópia da carta segue com este comunicado de imprensa).

"Ministro acredite que a sua decisão vai afectar de um modo adverso as vidas destas pessoas que compraram casas, e fizeram uma vida no Canadá para eles e suas familias… terá também… um impacto negativo na economia desta região,” Escreveu Mário Silva na sua carta dirigida ao Ministro.

Mário Silva assegurou ao Ministro que continuará a perseguir esta matéria em cada oportunidade, dentro, e fora da Camara dos Comuns.
March 21, 2006


Honourable Monte Solberg
Minister of Citizenship and
Immigration
365 Laurier Avenue West
Jean Edmonds South Tower
21st Floor
Ottawa, Ontario
K1A 1L1

Dear Mr. Solberg:

I am writing with respect to your decision to arbitrarily and without notice commence to remove from Canada literally thousands of workers who have established themselves in Canada as law-abiding, hard-working and responsible residents of this country.

As you may know the issue of undocumented workers was close to resolution under the previous Liberal Government and your predecessor as minister had already prepared the necessary documentation needed to go before cabinet with his proposal.

Allow me to be as succinct as possible. The thousands of undocumented workers in the Greater Toronto Area alone are taxpayers who have worked hard to build better lives for themselves and their families. In particular, their labour within the construction trades has not only been welcome but absolutely essential to the ability of this sector of the economy to meet the demands of this industry in the Greater Toronto Area.

By your decision to remove from Canada these essential workers you are not only adversely affecting the lives of these workers and their families but also the industries in which they are employed. This is not a matter of undocumented workers taking the jobs of others residing in Canada. There is simply not the labour pool necessary to support this industry without these workers. I invite you to inquire about this fact from any union representative or industry stakeholder. Clearly, you have not done so or the sheer folly of your decisions would be readily apparent.

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You should also know that the impact of your decisions upon these workers and their families is also felt at a level beyond the material. These are families with children enrolled in Canadian schools who have made this country their home. In undertaking this arbitrary action you are causing great pain and hardship to these workers and their families.

The zeal with which you and your government have implemented this policy of removal is really quite appalling and totally inconsistent with Canadian values of compassion and inclusiveness. Indeed, the website of your ministry has already posted a notice with respect to this issue and in so doing reflects your apparent unyielding dedication to your approach to this issue.

These are families that contribute to the betterment of the communities in which they live. They pay taxes, attend school and participate within their respective communities.

A proposal to resolve the issue of undocumented workers was readily available to you when you assumed office. After a long period of deep reflection, consultation and review a compassionate and practical solution was in place for implementation. You have ignored this solution and taken immeasurable steps backward.

Minister, make no mistake, your decision will adversely affect the lives of these people who have bought homes and made lives for themselves and their families in Canada. It will also, as noted, negatively impact the economy of this region.

I urge you in the strongest possible terms to reconsider this misguided, harsh and completely unnecessary policy decision.

I look forward to hearing from you promptly and assure you that I will continue to pursue this matter with vigour and resolve.

Yours truly,
Mario Silva
Member of Parliament
for Davenport

Sunday, March 05, 2006

Mãe que ficaste guarda-me o mundo...


Mãe que ficaste guarda-me o mundo…

Humberta Araújo

Doces foram os nossos contados dias,
Os trigais doirados a perder de vista.
Ternos e meigos eram os teus beijos,
Nas noites das nossas caladas vidas.

Mas o dia veio tirar da fome fria
Os nossos corpos vazios de nada
Deixas-te a casa, o peito, o porto
Perduramos na pergunta calada.
Filhas ficamos de mães angustiadas
Nas nossas casas, cartas, branca espuma
Saudades de um tempo absorto
Entre a ribeira, o forno, a igreja.
Um dia a carta de chamada,
um arrocho na alma profundo,
os adeuses, a terra, uma mala de prantos
fomos cegas de olhos de bruma.
Num enlace de xailes com cheiro de ilha
embarcamos num pássaro de cartas
Choramos em terra alheia
Falamos numa língua sem fado.

Mãe que esta nova terra tem seios fartos
Úteros que brotam promessas sem fundo.
Mãe que ficas onde os horizontes são parcos
Guarda-me uma broa, uma ribeira, o mundo!

Sonnet


Dawn has come to my cabin in distress
For my love has gone with no single kiss.
My flesh still tinted with his sweet caress
Holds tears, a scar, a road to sure abyss.

Long has his name hunted my fabless nights
And his voice awakened obscure notions.
Strangled I sing ballads of gentle knights
And wait for word on his secret motions.

No sign has God sent from the sky above
Or the Devil from the black caves of Hell,
But from the sea comes in haste a pure dove
With sweet news on a sheet of brocatel.

For all of my heart’s true worries and pains
Came a sign, a oath, a bag of true gains.
Humberta Araújo

Thursday, March 02, 2006

The morning after...


The morning after when I opened the window I remembered that once we both looked at dawn with delight. My body naked trembled by the sight of your talented hands...my love...my love...will we ever love that sweet? Wait for me with delight because in your mouth I will render my passion, in your arms my worries and sorrows. Your kisses, sweet semen of Heaven, wait, for my longing is patient of your tender desire. Stay by the fire, holding dreams in your heart. Long the wait has been, my sweet love, but soon the gate will open and the ocean will appease this great thunder.
I shall for ever write these words in blood, the ink of everlasting. In white sheets of ocean foam I draw the tale of lovers dwelling in eartly sorrows. For the gods have witnessed the true faith of love, and pleased they held a place of bliss for those who taste its savours.

HUMBERTA ARAUJO

A little token in antecipation of Women's Day. I hope, if you are in Toronto, you can visit the photo exhibition I am preparting at the Portuguese Consulate on Women and Emigration. To all of you men out there, don't forget the ones who have loved, and who have helped you through difiicult times.


A Cônsul-Geral de Portugal em Toronto
Drª Maria Amélia Paiva

tem o prazer de convidar V.Exª para uma sessão comemorativa
do Dia Internacional das Mulheres subordinada ao tema


“Testemunhos de Mulheres Emigrantes Portuguesas”


na

Galeria Almada Negreiros
Consulado-Geral de Portugal em Toronto
438 University Avenue, 14º andar

Terça-feira, dia 7 de Março de 2006, das 17:30 às 19:30 horas

The Consul General of Portugal in Toronto
Dr. Maria Amélia Paiva

requests the pleasure of your company at a session commemorating
International Women’s Day titled


“Narratives of Portuguese Immigrant Women”


at the

Gallery Almada Negreiros
Consulate General of Portugal
438 University Avenue, 14th floor

Tuesday, March 7th, 2006 from 5:30 to 7:30 pmComemoração Dia Internacional das Mulheres
Testemunhos de Mulheres Emigrantes Portuguesas em Toronto
Consulado Geral de Portugal em Toronto
7 de Março de 2006, das 17.30 às 19.30



1. Duas canções – Judith Cohen e Tamar Cohen
2. Introdução e Boas Vindas pela Cônsul Geral de Portugal, Mª Amélia Paiva
3. Apresentação tema - Humberta Araújo
4. Testemunhos:
Rosa de Sousa
Cristina Marques
Felicidade Macedo Rodrigues
Irene Blayer
Ana Fonseca
Mª Céu Oliveira
Ana Bailão
Milai Sousa
Clara Abreu
Idalina Silva
Maggie Unção

4. Momento musical com Judith Cohen e Tamar Cohen
5. Encerramento pela Cônsul Geral de Portugal

Friday, February 24, 2006


In 84
July
you waited
carnations still on fire
- remember 74 -
soldiers on the street
guilt expiating
ire?
I was a spirit
in free dive
in 84 -
you lingered
and I forgot.
Years have drawn
apart revolutions
in 84
I lost memory
of you waiting
when I was 23
in 84.

Today
I quest
for a name, a shadow.
I keep some
dim likeness of you
but... no print.
Forgive me
if you
still hold a faint grief.
For some reason
I knew
I was no poetry
for your leaf.
Relieve me
from treason.

On this unforseen occasion
words of you
on a leaf of paper
brought the aroma
of carnations,
the overthrow of suspicion.
In 74
were you a soldier,
a troubadour,
a minstrel of reveries?

23
I was
in 84
a basket of tales
a chalice of wine.
My breasts whole
my eyes trails.
A concubine
for life's frails.
In 84
I was
23.


Humberta Araújo

Thursday, February 23, 2006

Home is where Waters Bloom



Home
is where
waters bloom...



flowers roam...

mountains float...

Humberta Araújo

Friday, February 10, 2006

Violence is killing the innocence in all of us/A violência está a destruir a inocência que ainda nos resta




Violence is destroying the way we perceive the world and others. The incidents in world - no where in the Koran is there a prohibition of using the prophet's image - is a glimpse of what the world has become. But we do not need to go far to feel and experiment violence: yesterday a mother and her two children were found dead in a basement apartment in Toronto partially beheaded. Her husband was arrested. Violence knows no ethnical boundaries, but it comes in many forms and shapes.

A violência está a destruir a forma como vemos o mundo e os outros. Os incidentes dos últimos dias - em lugar algum o Corãp proíbe a utilização de imagens do Profeta -são uma janela para o mundo de hoje. Mas não é necessário irmos para tão longe para sentir e experimentar vioência: ontem uma mãe e duas crianças menores, entre elas um bébé foram encontrados mortos, parcialmente degolados num apartamento em Toronto. O marido foi preso. A violência não conhece fronteiras. Mas ela surge de muitas formas e feitios.

Everyday violence strikes behind private doors. Often, violence come from men that most of us perceive as good and well established. This was not the case, however. Financial problems and domestic violence seem to have been a part of this couple's life for sometime. But violence is also growing in the schools, in the playgrounds, in night clubs, in sports. But violence is particularly worrisome among young people.

Todos os dias a violência ataca no domínio doméstico. Muitas vezes ela vem de homens considerados bons e bem estabelecidos na vida. Este não foi o caso desta mãe e dos seus dois filhos: problemas financeiros e violência doméstiva acompanhavam a vida desta família. Mas a violência está também a crescer nas escolas, nos recreios, nos estabelecimentos de divertimento nocturno, nos desportos. Mas a violência é particularmente confrangedora no seio da juventude.

How can we adress and treat this social desease? Is there a cure? Or is humanity initiating a path of total destruction. Are our souls suffering with the same intensity that the planet is suffering? Are we just one and the same - as many agree, as I do? Are we all experimenting our own decline? Are we going to self destruct to self cleanse? Give your opinion!
Como poderemos atacar esta doença social? Existe cura? Ou a humanidade iniciou um caminho de destruição total? Estarão as nossas almas sofrendo com a mesma itensidade do planeta? Seremos uma só entidade - como muitos concordam incluindo? Estaremos a viver o nosso próprio declínio? Iniciamos um processo de auto-destruição e como tal auto - rejuvenescimento? Dê a sua opinião!

Wednesday, February 08, 2006

"Os Açorianos devem orgulhar-se de Joe Silvey


José Silva – Joe Silvey - baleeiro do Pico
Faz história na Colúmbia Britânica

Humberta Araújo
Toronto

"The Remarkable Adventures of Portuguese Joe Silvey" e "Stanley Park's Secret" duas obras de interesse histórico para ter em conta por quem se interessa pela saga da emigração açoriana para o Canadá.
"The Remarkable Adventure of Portuguese Joe Silvey" publicada em 2004 é o primeiro trabalho de Jean Barman abordando a problemática da emigração açoriana para a Colúmbia Britânica. No prefácio desta obra escreve Manuel A. Azevedo: "Existe um provérbio português que diz que Deus está em todo o lado, mas os portugueses chegaram lá primeiro."
Uma interessante observação sobre o trabalho de uma investigadora canadiana que tem dedicado estes últimos anos à descoberta da herança portuguesa neste país. Joe Silvey (Silva) foi um dos primeiros pioneiros portugueses a chegar ao Canadá muito antes de 1867, o ano da Confederação à qual a Colúmbia Britânica se juntou em 1871.
O ano da publicação desta obra de Barman é também relevante para a história portuguesa neste pais: comemorava-se os 300 anos do primeiro carteiro, o português Pedro da Silva.
A história do picoense Joe Silvey iniciou-se durante a corrida ao ouro de 1858 na Colúmbia Britânica. Estes foram os anos em que a população não nativa cresceu do dia para a noite. As 1000 almas que habitavam a Colúmbia Britânica viram de um momento para o outro o seu lugar “inundado” por sonhadores à procura de riqueza. Em pouco tempo a população somava 20 000 pessoas. Todavia, o picoense Joe Silvey não encontrou fortuna no ouro mas encontrou uma esposa nativa da localidade que mais tarde ficaria conhecida por Vancouver. Silva casou então com Khaltinaht, neta do lendário chefe índio Kiapilano. Após o matrimónio, o casal partiu de canoa rumo a Point Roberts onde José Silva abriu um bar (saloon) e se dedicou à pesca. Viveu em Brockton Point, a actual Stanley Park, localidade onde acabaria por encontrar outros companheiros de língua entre eles o baleeiro Peter Smith, Joe Gonsalves e o primeiro polícia de Vancouver, Tomkins Brew. Todos eles, com excepção de Gonsalves, que permaneceu solteiro - casaram com mulheres aborígenes.
Algum tempo depois Silva ficava viúvo e com duas crianças. Acaba mais tarde por casar com outra mulher indígena – Kwahama kwatlematt (Lucy-Lucia) e juntos criam 11 filhos, na ilha Reid. José Silva nunca mais regressaria à sua terra Natal - o Pico. "The Remarkable Adventures of Portuguese Joe Silvey" contém ainda uma importante colecção fotográfica da baleação açoriana e canadiana e, uma relevante memória fotográfica da família Silvey.
"Stanley Park’s Secret" é outro trabalho que completa os esforços de Jean Barman para tornar viva a história portuguesa na Colúmbia Britânica. Esta é uma obra mais abrangente que recorda também as famílias esquecidas do Rancho kanaka, Brockton Point e Whoi Whoi.

Mas quem foi Joey Silvey?

José da Silva que renasce agora através do entusiasmo de Jean Barman e dos seus descendentes espalhados por diversas regiões da Colúmbia Britânica, era um baleeiro do Pico, que em 1850 chegou ao Canadá atraído pela febre do ouro. O ano do seu nascimento continua uma incógnita – 1830 ?.
“Mesmo o nome Joe encontra-se envolto em algum mistério. Originalmente o seu nome de família seria Silva. Mas porque não sabia escrever alguém teria de fazê-lo por ele. Sempre que necessário complementaria a assinatura com um X para comprovar a autenticidade do que estava a ser assinado. Documentos mais recentes mostram o seu nome escrito tal como seria ouvido: Silva, Silvy, Sílvia e Silver. Por vezes a mesma pessoa escrevia o seu nome de formas diferentes. É possível, mas não provável que alguns destes documentos se refiram a outras pessoas. O nome só gradualmente tomou a forma de Silvey,” escreve a propósito Jean Barman.
As memórias mais vividas de Joe Silvey surgem da boca da sua filha mais velha Elizabeth, que já em idade avançada, as revela ao arquivista da cidade de Vancouver, o Major J.S. Matthews. Os seus encontros tiveram lugar de Outubro de 1938 a Outubro de 1943. Um ano e meio depois Elizabeth falecia. A filha deste picoense tinha igualmente uma importante colecção de fotos que são agora parte dos arquivos da cidade de Vancouver. De acordo com os registos canadianos do casamento, Joe Silvey era filho de João e Francesca Hyacintha. No Pico, a infância de Silvey deve ter sido povoada por relatos de viagens para a América no “Morning Star”, um navio que regularmente empregava jovens do Pico. Esta teria sido a embarcação na qual Silvey navegou para as Américas. A extraordinária história de José Silva leva-nos a admitir a possibilidade de ele ser neto de um escocês chamado Simmons. Ainda de acordo com Barman existiu um capitão baleeiro que saiu de Massachusets durante os anos 50 do século XIX. Apesar do seu nome (possivelmente uma variante do português Simões), Simmons era português de nascimento.
Uma segunda versão da história liga o nome de Joe Silvey a um dos soldados enviados pela Inglaterra para Portugal em 1808 para combater os franceses durante as guerras Napoleónicas. Alguns soldados decidiram ficar pelos Açores. Assim se poderá falar de uma herança escocesa e do facto de Joe ter uma pele mais clara que a portuguesa. De acordo com um dos seus descendentes, quando um Silvey deixa crescer a barba, a sua cor é vermelha. O registo da família diz que Joe tinha os olhos azuis e o sue filho Henry, verdes. Esta herança, escreve Jean Barman referindo-se a um trabalho dos investigadores Davis, Gallman e Gleiter publicado em 1995, pode explicar as razões pelas quais num documento oficial de compra de terras em 1872, Joe terá dado como seu nome legal o de ‘Joseph Sílvia Seamans.’
Aos 12 anos Joe Silvey começava as suas aventuras. Entre 1840 e inícios de 1850 o seu pai João decide levar dois dos seus filhos para a faina da baleia. Joe jamais voltaria a ver a sua mãe nem a ilha do Pico.
A sua chegada ao Canadá é uma incógnita. O ano de 1860 é o mais plausível sendo aquele referido pelo próprio.
“OS AÇORIANOS DEVEM ORGULHAR-SE DE JOE SILVEY”
Jean Barman



Humberta Araújo – O seu interesse pelos açorianos na Colúmbia Britânica é sem dúvida uma referência obrigatória para a nossa história neste país. Porque se interessou por Joe Silvey?

Jean Barman –Tenho duas respostas para lhe dar. Uma tem um carácter geral a outra refere-se especificamente a Joe Silvey. Quanto mais escrevo sobre a história do Canadá e da Colúmbia Britânica (C.B.) mais interessada fico nas histórias que não são contadas. Uma mão cheia de homens importantes – políticos e de negócios – parece-me menos importante que todos aqueles que trabalharam duro e fizeram a diferença no dia a dia das comunidades em que se inseriram. A localização privilegiada da Colúmbia Britânica no Pacífico permitiu a chegada de muita gente por mar. A C.B. atraiu pessoas de todo o mundo que procuravam uma vida melhor. A verdade é que sabemos muito pouco destes indivíduos. A corrida ao ouro que se iniciou em 1858 permitiu a homens como Joe Silvey e Peter Smith (seu amigo que viveu no futuro Stanley Park) a possibilidade de tentar a sua sorte na C.B. Mesmo assim nunca abandonaram os valores de trabalho árduo e os recursos ensinados pelos seus pais quando eram crianças nos Açores. Pelo contrário, estes valores foram as bases para a construção de boas vidas e a sua preservação.
Pescaram da mesma forma que o teriam feito na sua terra de origem; respeitaram as suas mulheres e filhos, tal como o teriam feito nas suas terras de origem e, tinham hábitos de higiene que permitiram que os seus filhos chegassem a adultos e que tivessem famílias numerosas. O Canadá e a Colúmbia Britânica beneficiaram muito de Joes e Peters que cá chegaram de todo o mundo. Precisamos de valorizar os seus contributos para a sociedade canadiana.
The Amazing Adventures of Portuguese Joe Silvey só foi possível porque muitos dos seus descendentes quiseram partilhar das suas histórias dando-me autorização para as divulgar junto de outras pessoas, ao mesmo tempo que me davam coragem para escrever tudo sobre a sua família. Não teria conseguido por mim própria. Nem eu poderia ter a presunção de o conseguir sózinha.
Tudo começou há alguns anos atrás quando numa entrevista na rádio mencionei o nome de Joe Silvey. Após esta entrevista recebi uma carta de dois jovens, que viviam na remota costa norte, expressando satisfação por ouvirem alguém partilhar o seu sobrenome e mostrando vontade de saber mais. Munida da pouca informação de que dispunha na altura escrevi para eles a primeira versão de Amazing Adventures, o que explica o nome do livro. Alguns Silveys leram o trabalho, contaram-me histórias e pediram-me que preparasse uma segunda versão para ser apresentada durante uma reunião da família Silvey. Mais descendentes partilharam comigo as suas histórias e, um editor que na família tinha alguém casado com um dos Silvey resolveu apostar na sua publicação. O livro tornou-se num “bestseller”.

H.A. – Só por si a publicação deste livro é já uma aventura. Joe Silvey é portanto um homem com uma história de vida muito peculiar. O que tem ele de especial para si?

J.B.- Não penso que Joe foi único mas sim semelhante a muitos, muitos emigrantes dos Açores e de outras localidades, que não só deixaram uma sociedade e encontraram outra, como também trouxeram consigo os seus valores de vida. A história do Joe é a história dos Açores, tal como é a história do Canada e da Colúmbia Britânica. Uma das razões pelas quais gosto do Joe e da sua família prende-se com o facto dos Silvey serem pessoas honestas que não tinham medo de trabalhar para construír uma vida boa. Aqui na C.B., os descendentes do Sivey tiveram que enfrentar o racismo não só porque eram portugueses e não britânicos, como a sociedade dominante (por isso o nome de BRITISH Columbia!) mas e, sobretudo porque tiveram descendência aborígene. Todavia, os Silvey souberam preservar o seu nome e multiplicaram-se através das gerações. Desde que o livro foi publicado há um ano têm-me chegado nomes de novos descendentes que desconheciam por completo a maravilhosa história dos seus antepassados. Ainda a semana passada pus em contacto com a família Silvey alguém que por correio electrónico me perguntava sobre Joe. Esta pessoa está agora a traçar a sua própria história como um Silvey.

H.A. – Conseguiu realizar um trabalho admirável ressuscitando a vida e os tempos de Joe Silvey. Como caracteriza a sua vida numa perspectiva cultural luso-canadiana?

J.B. – Joe Silvey é um homem importante porque chegou aqui um século antes da maioria dos açorianos. Sabemos muito mais dos homens e das mulheres que vieram depois da II Guerra Mundial para áreas remotas do Ontário ou da Colúmbia Britânica, do que sabemos de homens como Joe Silvey, que escolheram o Canadá não através de programas assistidos de imigração, mas por si próprios. Em Janeiro deste ano fui convidada para uma conferência em Toronto após a qual muitas pessoas de idade vieram ter comigo para expressar o seu orgulho pelo facto de alguém como Joe ter chegado ao Canadá antes deles.

H.A. – Como foi aceite este seu trabalho na província?

The Amazing Adventures tornou-se num sucesso de vendas na Colúmbia Britânica. Esteve no top 10 durante mais de três meses e ainda continua nas vitrinas das livrarias. Quanto às razões para tal aceitação acho que se devem:
1º Aos descendentes dos Silvey que somam actualmente mais de mil;
2º Aos descendentes de outras famílias que se vêm retratadas nestas páginas;
3º Às famílias de pescadores e aos profissionais da pesca que gostam de ler sobre alguém que tal como eles amou o mar;
4º Para os homens que gostam de uma história de aventuras. Aliás, um dos críticos que leu o livro disse-me a propósito que esta era a primeira vez em muito tempo que alguém escrevia uma história para homens de verdade;
5º Aos amantes da história da Colúmbia Britânica.
6º Às pessoas com poucos hábitos de leitura que me dizem que este é um livro que podem seguir com facilidade dado o grande número de fotografias e porque foi escrito de uma forma simples – o que se deve em parte ao facto desta ter sido primeiro uma história para crianças.
7º E claro de uma forma muito directa às pessoas de descendência portuguesa que querem conhecer a sua história.

H.A – Stanley Park’s Secret é um outro trabalho que retrata Joe Silvey e outros homens dos Açores que viveram no local na época de Silvey. Porque continuou interessada na história portuguesa nesta província?

J.B. – Uma vez mais foi um descendente que me incentivou a escrever Stanley Park. Neste caso estamos a falar de Peter Smith que muito provavelmente mudou de nome para não ser apanhado, após ter fugido de um navio de pesca à baleia ou outra embarcação durante a corrida ao ouro. Os Smiths tal como os Silvey foram grandes apoiantes do meu trabalho durante as minhas pesquisas sobre as famílias de Stanley Park. Mas não só. O apoio tem também chegado de outras pessoas que ali viveram durante as suas infâncias ou cooperação da família Gonsalves, cuja origem remonta à ilha da Madeira. Uma das outras razões que me leva a interessar pelas raízes portuguesas no Canadá prende-se com o facto do meu marido ser um estudioso da história do Brazil. Já vivemos algum tempo no Rio de Janeiro e visitamos várias vezes Portugal. Por outro lado, na Universidade da Colúmbia Britânica sou professora de dois estudantes de origem açoriana com teses sobre a vida dos portugueses no Canadá. Estou agora com esperança de poder visitar os Açores. Já comprei dois livros e estou muito contente com esta possibilidade.

H.A. – Que mensagem gostaria de deixar aos açorianos que lerem esta entrevista?

J.B. – Todos os açorianos devem sentir orgulho de Joe Silvey. Peter Smith e de todos aqueles homens e mulheres dos Açores que na sua maioria, por razões económicas, construíram as suas vidas longe das ilhas, sem nunca esquecer as suas origens. Eles levaram consigo os Açores e tornaram-se por isso embaixadores de uma forma de vida que valorizava o trabalho honesto, higiene e fidelidade à família.

H.A. – O que acha da possibilidade de uma tradução para português do seu trabalho?

J.B. – Uma tradução para português deixar-me-ia muito feliz. Só gostaria que o meu português fosse suficientemente bom para o fazer. A história do Joe Silvey interessa ao povo dos Açores. É sempre muito fácil esquecer aqueles que de entre nós escolheram fazer uma vida noutro local. Os açorianos contribuíram muito para o desenvolvimento do Canadá, Estados Unidos e outros. Por tudo isso cada açoriano pode se sentir verdadeiramente orgulhoso. Muito obrigado pela oportunidade que me deu de partilhar estes meus pensamentos consigo.

Tuesday, February 07, 2006

Ilhéu do Norte

Ilhéu do Norte

Um blog da terra, poetico,belas fotos e palavras.

Thursday, January 26, 2006

Às endémicas dos Açores com um abraço

“Vai de flores,
menstruada
uvas-da-serra.
A viúva – vidálias
Conchelos- do Mato
Queiró, ginja.
Novembro – viúva
Santos Finados
Vai de vidálias
Malfuradas, fetos
Louro, angélicas.
Fieis defuntos
Viúva, menstruada
Marsílias na campa.


Humberta Araújo
MArço 2004

Thursday, January 19, 2006

Eleições e emigrantes - Elections and Immigration

Portugueses no Canadá preparam-se para mais um acto eleitoral. 4 partidos - quatro formas diferentes de ver a sociedade canadiana. Os imigrantes têm apoiado de forma muito convincente os liberais. O Ontário continua uma forte tradição liberal. Toronto, uma urbe moderna com problemas sociais específicos que carecem de olhares práticos e firmes. Como votarão os portugueses neste acto eleitoral que se aproxima? Acha que os representantes portugueses a nivel provincial e federal têm acompanhado os problemas e anseios dos imigrantes portugueses? Somos um povo que participa em actos cívicos?

DÊ A SUA OPINIÃO!

Portuguese in Canada are prepating themselves for new elections. 4 forces are in charge. Four diferent ways of looking at Canadian society. Most immigrants have given their support to the Liberals. Ontario has a strong liberal tradition. Toronto, a modern city with specific social problems requiring firm practices by government. How will the portuguese vote? Do you think that portuguese politicians at the provincial and federal level have looked fairly to portuguese problems in their communities? Do we portuguese participate in civil life?

GIVE US YOUR OPINION!

Wednesday, January 18, 2006

HE ABUSES ME WHEN...


He hides and lies like a wounded woolf,
and he abuses me with silences,
games of words...displeasure for my being.
He abuses me when he eats my cooking
without a word, a gesture of appreciation.
He abuses me when he plays with my mind
disturbs my faith, relinquishes my dream.
He abuses me when he calls me stupid
and holds me accountable for being unkind.
He abuses me when he takes my words
distorting meanings and purposes.
He abuses me for not loving the body
my soul rests upon after a day of labour.
He abuses me for not seeing that my name
holds a story, a will, a road to conquer.

Humberta Araújo
Jan. 2006